Dados do ITBI: mercado imobiliário de Cuiabá em 2025 — o que os números realmente mostram

Se você pesquisou “mercado imobiliário Cuiabá 2025”, “vendas de imóveis Cuiabá 2025” ou “ticket médio Cuiabá 2025”, aqui está o retrato completo - sem achismo e sem maquiagem, só leitura objetiva dos dados do indicador baseado em ITBI.

2025 foi recorde. Mas o motivo não é “milagre”: foi mais volume, mudança de mix (mais peso de unidades com menor ticket e crescimento forte do imóvel novo) e financiamento ganhando espaço.

 

O resumo que importa (em 30 segundos)

  • 13.597 imóveis vendidos no ano

  • R$ 5.703.651.938 movimentados (valor transacionado)

  • Ticket médio:R$ 419.479 (menor que 2024)

  • Crédito financiado (montante):R$ 1.569.782.223

  • % do crédito sobre o total:27,52%

Tabela 1 — Painel 2025 (Cuiabá)

Indicador2025
Unidades transacionadas13.597
Valor transacionadoR$ 5.703.651.938
Ticket médioR$ 419.479
Valor financiado (crédito)R$ 1.569.782.223
% financiado (crédito/total)27,52%

 

Antes de interpretar: o que este indicador mede (e o que ele não mede)

Base do indicador: registros de ITBI.
Isso mede mercado formal transacionado (o que efetivamente virou imposto/registro), o que é muito melhor do que “preço de anúncio” para medir atividade real.

Importante: não é uma “tabela de preços do mercado” e não serve para dizer “quanto custa imóvel em Cuiabá” como se fosse vitrine. Serve para responder: quanto foi vendido, quanto foi movimentado e como o mercado se comportou no agregado.

 

1) 2025 vs 2024: vendeu mais e movimentou mais - mas com ticket menor

Aqui tem um ponto técnico que muita matéria erra: a linha “Var.” do relatório usa uma convenção diferente (base 2025). Para não dar margem a confusão, eu deixo as duas:

  • Variação padrão: (2025 − 2024) ÷ 2024

  • Variação do relatório: (2025 − 2024) ÷ 2025

Tabela 2 — Comparativo 2024 x 2025 (duas leituras)

Indicador20242025Variação padrão (sobre 2024)Variação do relatório (sobre 2025)
Unidades transacionadas10.21513.597+33,11%+24,87%
Valor transacionadoR$ 4.677.350.257R$ 5.703.651.938+21,94%+17,99%
Ticket médioR$ 457.890R$ 419.479−8,39%−9,16%
Valor financiado (crédito)R$ 847.052.965R$ 1.569.782.223+85,32%+46,04%
% financiado (crédito/total)18,11%27,52%+9,41 p.p.+6,20 p.p.

Leitura simples:

  • Cresceu forte em unidades e valor.

  • O ticket médio caiu, o que sinaliza mudança de composição (mais peso de unidades de menor ticket no agregado).

 

2) O “segredo” do recorde: o imóvel novo ganhou muito espaço

Quando você separa por novo e usado, a explicação aparece no número, sem narrativa.

Tabela 3 - Valor transacionado: novo x usado

AnoNovoUsadoTotal% do “novo” no total
2024R$ 660,5 milhõesR$ 4.016,9 milhõesR$ 4.677,4 milhões14,12%
2025R$ 1.595,2 milhõesR$ 4.108,5 milhõesR$ 5.703,7 milhões27,97%

O que isso mostra (sem floreio):

  • O usado ficou praticamente estável em valor.

  • O novo cresceu muito e quase dobrou a participação no total movimentado.

 

3) Financiamento: duas métricas - se misturar, vira contradição

Aqui mora a confusão que derruba a credibilidade de muita análise. Existem dois conceitos diferentes:

(A) “Valor financiado (crédito)”

É o dinheiro do financiamento em si (o empréstimo).

  • R$ 1.569.782.223 em 2025

  • 27,52% do valor transacionado

(B) “Transações financiadas” (valor dos imóveis vendidos com financiamento)

Aqui o número é maior porque inclui entrada + crédito (não é só o empréstimo).

  • 5.999 unidades com financiamento (44,12% das unidades)

  • R$ 2.361.224.804 em valores totais das transações financiadas (41,40% do total transacionado)

Tradução de investidor: quase metade das vendas envolveu financiamento — mas o “crédito” é menor porque a entrada existe e pesa.

 

4) Onde a cidade realmente girou: ranking por região em 2025

Se a pergunta é “onde vende mais?” e “onde o ticket é maior?”, os dados regionais respondem.

Tabela 4 — Regiões (2025): unidades, valor e ticket médio

RegiãoUnidades% das unidadesValor transacionado% do valorTicket médio
Oeste5.06137,22%R$ 2.166.294.69537,98%R$ 428.037
Leste3.23723,81%R$ 1.774.516.57931,11%R$ 548.198
Sul3.35724,69%R$ 839.591.71514,72%R$ 250.102
Norte1.79913,23%R$ 901.825.44615,81%R$ 501.293
Rural1431,05%R$ 21.423.5020,38%R$ 149.815

Leitura objetiva:

  • Oeste: motor do mercado em volume e faturamento.

  • Leste: maior ticket médio (perfil mais valorizado).

  • Sul: muito volume com ticket bem menor (perfil econômico).

Observação técnica: a soma do valor por região pode diferir do total geral por diferença mínima de arredondamento (ordem de R$ 1).

 

5) Série histórica 2018–2025: 2025 foi pico de volume, e o ticket virou

A série é útil porque evita leitura emocional (“subiu/baixou”) e mostra padrão.

Tabela 5 — Totais gerais (2018–2025)

AnoUnidadesValor transacionadoTicket médio% financiado (crédito/total)
20188.113R$ 2.575.454.398R$ 317.44815,62%
20198.546R$ 2.604.123.589R$ 304.71819,93%
20209.382R$ 3.179.941.327R$ 338.94123,19%
202111.910R$ 4.321.857.524R$ 362.87621,31%
202210.510R$ 4.142.879.821R$ 394.18518,62%
20239.282R$ 4.274.780.783R$ 460.54515,83%
202410.215R$ 4.677.350.257R$ 457.89018,11%
202513.597R$ 5.703.651.938R$ 419.47927,52%

O que a série confirma:

  • 2025 é o maior nível recente em unidades e valor.

  • O ticket médio vinha alto em 2023/2024 e cai em 2025.

  • A participação do crédito sobe e chega a 27,52% em 2025.

 

 

Gráfico 1 — Valor transacionado (R$) por ano (2018–2025)

cuiaba-valor-transacionado-2018-2025.png

Gráfico 2 — Unidades transacionadas por ano (2018–2025)

cuiaba-unidades-transacionadas-2018-2025.png

Gráfico 3 — Ticket médio (R$) por ano (2018–2025)

cuiaba-ticket-medio-2018-2025.png

Gráfico 4 — Novo x usado (2024 vs 2025)

cuiaba-valor-transacionado-novo-x-usado-2024-2025.png

Gráfico 5 — Valor transacionado por região (2025)

cuiaba-valor-transacionado-por-regiao-2025.png

 

O que monitorar em 2026 (sem adivinhação)

Se você quer acompanhar “para onde vai” com racional, foque no que realmente muda o jogo:

  1. Crédito e custo da parcela (juros efetivos + spread): define velocidade de decisão do comprador.

  2. Mix (novo x usado): 2025 foi puxado pelo novo; se o pipeline muda, o resultado muda junto.

  3. Ticket médio x capacidade de pagamento: ticket menor pode ser só mix - não “queda estrutural”.

  4. Mapa regional: Oeste e Leste concentraram a maior parte do valor; mudanças de oferta nessas regiões mexem na fotografia do ano.

 

Conclusão (sem romantização)

O recorde de 2025 em Cuiabá se explica por fatos: mais transações, crescimento forte do imóvel novo e financiamento com maior presença, enquanto o ticket médio caiu por mudança de composição das vendas. A única armadilha aqui é comunicação: se você não separar crédito financiado de valor de transações financiadas, você cria contradição onde não existe.


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